Convergência de Mídia

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Internet, livros, games, celulares, outdoors, filmes, vídeos, email, grupos online, blog, TV, rádio. A lista tende ao infinito, as mídias no mundo moderno estão interligadas, convergem. Faz todo sentido falar em convergência de mídia. Falar em convergência em tratando de mídia é falar de fluxo de conteúdos através de multiplos suportes midiáticos e do comportamento migratórios dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca de experiências de entreterimento que desejam. Esse conceito vem do livro Convergência de Mídia de Henri Jenkins, que ao contrário do senso comum, que afirma que a convergência é o fator que leva todas as mídias para uma só aparato. O senso comum dá a convergência o sentido dos meios para o conteúdo, já a convergência que falo é no sentido do conteúdo para os meios.

Um conteúdo, muitas mídias

Segundo Jenkis, “Essa convergência não é tecnológica e sim cultural, à medida que os consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio à conteúdos midiáticos dispersos. Ficar ligado no comportamento dos consumidores, suas experiências e movimentos em busca de conteúdo é muito importante nesse novo mundo”.

Tudo o que venho escrevendo desde que comecei esse novo projeto vai nesse sentido. O mundo mudou de uma maneira absurda e nunca vista, são novas formas de se relacionar, com pessoas, empresas, produtos, amores, empregos, governos, com a vida. E novas relações pedem de nós, profissionais de Internet, que entendamos os seres humanos resultantes dessas mudanças.
As pessoas de hoje são diferentes das de ontem e a próxima geração é uma incógnita. É necessário ouvir seus anseios e olhar seu comportamento desde hoje para saber falar sua língua. De agora em diante o contexto muda a cada momento, mas em contrapartida a história que você conta tem que ser coerente, mesmo com toda essa mudança.

As marcas do futuro. E o futuro das marcas?

Ao meu ver as marcas de sucesso no futuro serão aquelas que saberão contar historias coerentes (uma estratégia focada em marca como conteúdo e não com conteúdo), através de muitas mídias. É por isso que esse projeto/empresa se chama contexto, porque acredito que o tecido dessa narativa deve ser feita respeitando o ambiente onde ela se dá, o contexto. A experiência narrativa de sua marca contando um capítulo de cada vez em cada ponto de contato com seus usuários, entendendo as particularidades de cada mídia, estando atento a linguagem própria de cada uma.

A narrativa transmidiática permite que o texto, em seu sentido mais amplo, seja expandido e a cada contato com seu público as possibilidades de multiplicam, e em se tratando de marcas é o momento exato para o Branding Open Source.

Comunidades de Conhecimento

Muitas marcas criam comunidades de conhecimento, seja ativamente como a Harley Davidson ou com a participação ativa de seus usuários, como no caso da Apple. Esses grupos de usuários que partilham conhecimento sobre o seu negócio são um dos mais claros exemplos atuais da mudança da relação que os consumidores tem com as marcas que amam ou odeiam. Sua empresa tem uma comunidade dessas? Seria interessante certo?

Seus consumidores podem estar se juntando sem seu conhecimento, seria interessante você participar. A palavra é exatamente essa: participar, sua empresa deve fazer parte, se chegar tentando tomar contado do espaço só porque é de sua marca que estão falando, ou vai ser ignorado, expulso ou pior. Faça parte, se posicione como empresa mas fale como pessoa, ninguém quer falar com uma empresa e sim com pessoas, o tom do texto é muito importante, deve ser pessoal e o mais franco possível. Cuide do tom da conversa.

Nesses grupos acontece um fenômeno contemporâneo interessante, o que Jenkis chamou de criatividade alternativa, que é o fenômeno que leva a seus usuários, de posse das ferramentas atuais de apreensão e edição, modificar seu conteúdo. Daí a importância da participação da sua empresa, detentora da marca nessas comunidades. Ser mais um a gerar conteúdo é pouco, ser ativo nessa relação é fundamental, seja você adepto do Branding Open Source ou não, sei que deseja que falem de sua marca e de preferência bem.

O medo de perder o controle criativo leva a atitudes impensadas, a processos desnecessários que só causam desgastes e irritação. Saiba jgar o jogo de hoje ou nem jogue. Pode parecer absurdo mais é nesse caminho que as coisas caminham e tendem a se intensificar. Dividir o controle com o usuário pode ser (e eu acho que vai ser) o Branding do futuro.

Temos portanto um cenário novo: marcas abertas, usuários conscientes de sua força e de posse de ferramentas de edição cada vez mais amigáveis.
Irritar esse consumidor altamente letrado em mídias digitais não é um bom negócio (recentemente uma marca de motos investiu muito dinheiro em mídia mas esqueceu alguma coisa, pois um vídeo feito por um usuário usou sua própria campanha para explicitar a irritação com a marca. Veja o vídeo). Do ponto de vista do consumidor esse letramento midiático é a porta de entrada nesse mundo do consumo participativo, saber lidar, ler, reescrever e produzir conteúdo dá a ele voz ativa, voz que a grande maioria não tinha. Já do ponto de vista das marcas, cria um problema e uma oportunidade. O problema do controle, que pode ser resolvido com monitoramento e participação. E a oportunidade de, na condição de fazer tudo certo, pular milhas a frente da concorrência, entrando no invejado grupo das marcas amadas por seus consumidores.

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